Pela manhã Mérida sentia a dissabores, decidimos ir ver os lagos cor de rosa e os Flamingos e do porteiro tivemos a opinião firme de que o melhor era ir para Celestún onde tudo seria cor de rosa…
As excursões de barco até ás salinas estavam lá, só que afinal era época das chuvas que diluía o sal e mudava a cor do lago, quanto aos Flamingos, bem são aves migratórias e só havia uns quantos jovens que ainda não tinham apanhado voo.
E a maior aventura no México foi a descida atribulada até Uxmal. Seguimos uma estrada secundária onde a cada 20 ou 30km atravessávamos uma aldeia.
Numa dessas aldeias cruzamo-nos com um carro da Polícia que escoltava uma carrinha avariada – a carrinha estava a ser puxada por umas 4 pessoas já em modo corrida.
Eu sorri e acenei, sou tão simpática!…
Alguns km depois o dito carro da Polícia mandou-nos encostar. Pediu a carta de condução e a seguir começaram a falar em como íamos em excesso de velocidade, em como não respeitamos a distância de segurança e blá… blá… blá… a multa é grande e têm de ir para Mérida amanhã (200km de distância). Eu, a sem paciência, a ver onde é que a conversa ia dar, perguntei:
– Quanto é se pagarmos agora? – recebi a fantástica resposta:
– Quanto é que têm?
Desde que nos mandou parar e se encostou à janela do carro, que a postura do corpo, a maneira como falava e se movia, a farda preta, me fazia pensar num abutre, com o pescoço esticado à espera, a rondar, a ver a comida ficar pronta para depois a atacar. E a partir do momento em que ficaram com o nosso dinheiro e foram para o carro deles, só pensava naquelas hienas do filme O Rei Leão, a rirem de escárnio. Imagino o Agente que nos falou mais o gordinho do Comandante dele, sentados no carro a rirem-se tanto que o corpo abana para cima e para baixo, tanto, mas tanto que batem consecutivamente com a cabeça no tablier e no volante sem sequer sentirem.
Sim, fomos roubados pela Polícia! Até ficaram com um anota de 50 francos apesar de nem nunca terem ouvido falar em francos.
Os maias foram das primeiras civilizações a terem chocolate que davam sempre a beber às pessoas que capturavam, normalmente misturado com sangue dos que já tinham matado.


